Em um tempo menor do que uma gestação muita coisa mudou. Já dizia Lavoisier: nada se perde, nada se cria; tudo se transforma. Fui levada a refletir sobre diversos assuntos que outrora nem se quer pensava. Observei como é triste se chegar ao fim cheio de mágoas, muita necessidade de pedir perdões e se redimir. Não estou afirmando que seja tarde para reconhecer os erros, mas pessoas tão próximas uma das outras com tanto tempo e oportunidade, acabam deixando essas pendências para resolver na última hora. Espero chegar ao fim tranquila por pensar que fiz o meu melhor sempre e que se houve algum momento pelo qual devo me redimir, que isto seja feito o quanto antes. Até porque a maior parte desses meros mortais deixam essa esfera sem ter tempo para nenhum arrependimento.
Acredito que isso acontece com tanta frequência porque a maioria das pessoas ora têm medo, ora têm preguiça de viver. Deixam que a vida se encarregue de resolver seus problemas, que o tempo apague as mágoas. Seguindo o conselho de Fernando Pessoa que diz para desconfiar do destino e acreditar mais em nós mesmos, decidi substituir o "quero me perder" que me acompanhou por um longo tempo, pelo "quero me encontrar".
Existem muitas pessoas decidindo se perderem por essa vida a fora e nisso não se encontra nenhum mérito. Digo isso com propriedade.
Quero muito me encontrar, saber e buscar as verdades, enfrentar meus medos e preguiças com muita dignidade, cabeça erguida e de peito aberto.
As mágoas e as feridas aparecerão, mas cabe a mim decidir o que fazer com elas, ao invés de deixar que o "destino" se encarregue de fazer tudo.
Até um próximo desabafo!
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